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Câmara Pirassunuga

Vereadores cobram solução para afastamento de servidora da casa de apoio em Barretos

Decisão da prefeitura gera críticas e mobiliza pacientes em reunião na Câmara

Publicado - 13 Junho 2025

A servidora municipal Dulcineia Aparecida Franco Senhorine – e seu trabalho como voluntária – foi o centro de uma reunião realizada na noite da última terça-feira (10) na Câmara. O encontro, convocado por meio do requerimento nº 320/2024, contou com a presença de vereadores, secretários municipais e dezenas de moradores, muitos deles pacientes com câncer ou familiares, em apoio à funcionária que por anos está à frente da casa de apoio a pacientes oncológicos em Barretos.

Dulcineia, conhecida pela dedicação ao acolhimento de pacientes e familiares durante o tratamento, não está mais cedida para atuar na casa desde o início do ano, por decisão do Executivo. Atualmente, está lotada na secretaria municipal de Assistência Social.

Segundo o procurador-geral da prefeitura, Tiago Varisi, que representou o prefeito Fernando Lubrechet, a decisão foi tomada por falta de respaldo legal, já que a servidora atuava sem função formal definida. “É um trabalho louvável, mas sem base legal”, afirmou. Segundo ele, a alternativa estudada atualmente para solucionar o caso é o Plano de Desligamento Voluntário (PDV), previsto para este ano. Com isso, Dulcineia poderia se aposentar voluntariamente e retornar à casa de apoio como voluntária, sem vínculo com a prefeitura.

O secretário de Assistência Social e Direitos Humanos, Carlos Eduardo da Silva Farias dos Santos, reforçou o posicionamento técnico. “Enquanto gestor, achamos por bem convocá-la de volta à secretaria. É uma situação totalmente irregular e ilegal. O olhar que eu tenho para isso é estritamente pragmático, não entro na seara sentimental”, disse.

As falas dos representantes do Executivo foram rebatidas por diversos vereadores. Wellington Cintra destacou que a servidora presta um serviço que o município não oferece. “Onde entra o bom senso, a empatia?”, questionou.

Luciana Batista lembrou que Dulcineia também atua buscando doações, servindo alimentação e até conseguindo pneus para os veículos usados no transporte dos pacientes. “Ela faz um trabalho que merece um olhar diferenciado”, falou. A vereadora Sandra Vadalá acrescentou: “Quando a gente quer resolver, a gente resolve.”

Para o presidente da Câmara, Wallace Bruno, faltou iniciativa do Executivo. “Eu achei sinceramente que a prefeitura ia vir aqui hoje e trazer uma solução. Nem que fosse uma sugestão de portaria, de conversa entre secretarias.”

A própria Dulcineia também fez uso da palavra. “Eu comecei esse trabalho com meu ex-marido, que precisou da minha ajuda. Com o tempo, fui criando amizade com os médicos. Hoje as pessoas me procuram, e eu não consigo dizer não.”

A população presente manifestou apoio à voluntária. “Ela é uma ponte importante entre Pirassununga e Barretos”, disse uma paciente. Outro afirmou: “Saí do trabalho para estar aqui por gratidão.”

A ausência do prefeito Fernando Lubrechet foi criticada por alguns. Convidado, ele alegou incompatibilidade de agenda.

Alguns vereadores como Mirelle Bueno e Leandro Del Tedesco reforçaram a necessidade de o município ter uma casa de apoio própria e regularizada, como já ocorre em outras cidades. Em comum, todos os edis cobraram uma solução para que Dulcineia possa continuar o trabalho considerado essencial pela comunidade.

Participaram ainda da reunião a secretária municipal de Saúde, Solange Aparecida Martins, e a primeira secretária do Conselho Municipal de Saúde, Maria Elisa Granchi Fonseca.

Autoria - Imprensa/Câmara

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